Cooperação mais pragmática com a China é defendida pelo Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu defende cooperação mais pragmática com a China perante desafios globais

O Parlamento Europeu afirmou que a União Europeia deve favorecer uma cooperação mais pragmática com a China perante os desafios globais. Os eurodeputados classificam a China como um parceiro e, ao mesmo tempo, um concorrente e rival sistémico da UE. Analisam que Pequim está a reforçar o seu papel e influência nas instituições internacionais, tendo como objetivo reformular a ordem internacional assente em regras.

Recomendações para a cooperação com a China

Os eurodeputados fizeram várias recomendações durante a Comissão dos Assuntos Externos (AFET) para enfrentar desafios como as alterações climáticas, a estabilidade financeira, os conflitos e as questões de segurança. Salientaram que tanto a UE como a China têm interesse em manter relações ativas e estáveis baseadas no direito internacional, num diálogo equilibrado e em responsabilidades partilhadas a nível mundial.

Alerta sobre segurança e controlo na China

Os representantes dos 27 Estados-membros alertaram que a China está a entrar numa nova era de segurança e controlo, caracterizada pelo aumento da repressão interna e por uma política económica e externa cada vez mais assertiva.

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Violação dos direitos humanos

Os eurodeputados pediram medidas concretas em relação às violações dos direitos humanos cometidas pelo governo chinês, como as denunciadas pela ONU em 2022. Apelaram às autoridades chinesas para pôr fim à repressão sobre dissidentes, minorias religiosas e étnicas, bem como às graves violações dos direitos humanos em curso. Destacaram também a situação alarmante na região de Xinjiang e no Tibete, assim como os desenvolvimentos em Hong Kong e Macau.

Controlo chinês sobre infraestruturas críticas

Os eurodeputados apelaram à UE para fazer mais no sentido de limitar o controlo chinês sobre infraestruturas críticas, combater os ciberataques e as campanhas de desinformação provenientes da China, assim como a vigilância da diáspora e da espionagem chinesa na UE.

Posição sobre Taiwan

Os eurodeputados reafirmaram a sua posição contrária a quaisquer alterações ao status quo no Estreito de Taiwan, pedindo cooperação com os parceiros regionais para desencorajar a China de aumentar as tensões na região. Aludiram ainda à política europeia “Uma só China”.

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Reações e votação das recomendações

Após a votação, a relatora Hilde Vautmans, deputada belga do grupo parlamentar Renew Europe, afirmou que a UE deve reagir a uma China assertiva através da implementação de uma nova estratégia ousada. Destacou a necessidade de defender os valores e interesses europeus, reforçando a autonomia estratégica e reduzindo os riscos nas relações com a China.

Cimeira UE-China

Na 24ª Cimeira UE-China, representantes do bloco europeu reuniram-se com o presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro da China, Li Qiang. Durante a cimeira, foi reafirmada a política “Uma só China” e expressa preocupação sobre as tensões no estreito de Taiwan e nos mares da China Oriental e Meridional.